Do lado de oeste,
do lado do mar,
há rosas silvestres,
para respirar,
e o chão se reveste
de musgos de luar.
Do lado de oeste,
do lado do mar,
há uma suave cipestre
para me embalar.
Pássaros celestes
me virão cantar.
Coração sem mestre,
sonho sem lugar,
quem há que me empreste
barco de embarcar?
Do lado de oeste,
do lado do mar,
descerei com Vésper
até me encantar.
Quero estar inerte,
sob a chuva e o luar.
Tu, que me fizeste,
me virás buscar,
do lado de oeste,
do lado do mar?
Cecília Meireles
Poema tirado do livro Vaga Música
domingo, 8 de agosto de 2010
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