segunda-feira, 31 de maio de 2010

O TEMPO MANDA!!! Corre corre corre, leia!

TRIMMMMM.... corre corre corre, pegue os chinelos, vá ao banheiro e escove os dentes (rápido)... corre corre corre até a sala... desvie do sofá.... corre corre corre... ferva a água.... prepare o pão... corre corre corre... a água está borbulhando... vá buscar o café... pegue o bulê... corre corre corre... onde está a colher?.... achou? então... corre corre corre... jogue o café corre corre jogue a água corre corre corre o café está pedindo para ser diluido corre corre corre pegue o açucar, coloque uma colher corre corre corre, passe manteiga no pão, mas antes o reparta ao meio, é claro... corre corre corre coma, beba corre corre corre, vá ao banheiro, tome seu banho, lave os cabelos corre corre corre, busque sua roupa, pegue a gravata corre corre corre, onde está as chaves do carro? Perdeu-as de novo corre corre corre procure-as corre corre corre, alí... encontrei... vai... corre corre corre... feche a porta, abra o carro e ligue o motor corre corre corre, sinal vermelho............ espere............ verde corre corre corre, mas sem levar multa corre corre corre, olhe o cachorro... ufa... quase, corre corre corre, dê oi para o porteiro e estacione o carro corre corre corre, entre, fale com a recepcionista rapidamente, olhe o atraso, não pode, corre corre corre... fale com o chefe, pegue a pasta com os documentos e termine o trabalho corre corre corre, vá, o chefe lhe chama, corre corre corre.... fim do expediente corre corre corre, vá até o carro e volte para casa.... trânsito (meu Deus!) ............................ apito.................... buzina............ fumaça............ aproveite seu tempo e leia, faça anotações, andou... corre corre corre... olhe o radar,corre corre corre... chegue em casa e prepare aquele banho para relaxar corre corre corre, o jornal das oito na tv corre corre corre, o arroz no fogo, frite o ovo e coma-os com gosto, corre corre corre, agora sim, tome seu banho e vista seu pijama, corre corre corre, vá deitar, pois amanhã você acorda cedo.... corre corre corre.... deite, feche os olhos e durma........... pois sou o TEMPO e quando te controlo é para as coisas sairem do meu modo.... (percebeu quem manda aqui?)... Ah! Coloque o relógio para despertar, porque eu não posso parar... olhe o tempo! Sonhe....................................................................................................
TRIMMM... corre corre corre, pegue os chinelos, vá ao banheiro e escove os dentes....

Sílvio Dias Júnior
Com a chegada dos dias dos namorados, nossos crônistas da Folha de S. Paulo estão centralizando seus pensamentos com relação ao "Amor". Sendo assim, postarei para vocês o texto que saiu hoje na Ilustrada do grande Luiz Felipe Pondé.
Heloisa
Muitas leitoras me perguntam se acredito no amor romântico. Sim, e vou dizer como. Adianto uma diferença: uma coisa é o amor no sentido de "liga" no convívio de longa duração e outra coisa é o amor romântico (pathos), e os dois não são "parentes".
O amor no sentido de "liga" é cristão: doação, esforço cotidiano, construção de vínculos. O amor romântico é da ordem da tragédia.
Não farei uso de nenhuma pretensa sociologia do amor ou história do beijo. Essa afetação científica não me interessa. A minha descrença nas ciências humanas está além da possibilidade da cura. Parafraseando Pascal (séc. 17), quando se refere a Descartes ( séc. 17): acho as ciências humanas incertas e inúteis.
Tampouco sofro de afetação das neuro ciências. Aqui, o amor seria apenas uma sopa com mais ou menos serotonina. Pouco me importa qual lado do cérebro acende quando amo. Ambas nos levariam a conclusões do tipo: o amor romântico seria uma invenção a serviço da ideologia burguesa e patriarcal ou alguma miserável conjunção de neurônios, com num tipo de demência senil.
Falo como medieval extemporâneo que sou. Acho a literatura medieval melhor para falar do amor romântico ( como achava o mexicano Otavio Paz). Em matéria de ser humano, confio mais nos medievais do que nos homens modernos.
Segundo André Capelão ( séc. 12) em seu "Tratado do Amor Cortês", o amor é uma doença que acomete o pensamento de uma pessoa e a torna obcecada por outra pessoa, criando um vício incontrolável que busca penetrar em todos os mistérios da pessoa amada: suas formas, seu corpo, seus hábitos.
Trata-se de um anseio desmedido, uma visão pertubada que invade o coração dos infelizes. Tornam-se ineficazes e dispersos. Esses infelizes deliram em abraçar, conversar, beijar e deitar-se com o ser amado, mais jamais conseguem fazê-lo plenamente (por várias razões), e essa impossibilidade é essencial na dinâmica do desejo pertubado. Corpo e alma estremecem anunciando a febre distância.
O amor romântico é uma doença. Nada tem a ver com felicidade. Por isso sua tendência a destruir o cotidiano, estremecendo-o.
Ou o cotidiano o submeterá ao serviço das instituições sociais como família, casamento e herança patrimonial, matando-o.
Por isso, os medievais diziam que o amor não sobrevive no cotidiano. O cotidiano respira banalidade e aspira à segurança ( irmã gêmea da monotonia, mas que a teme ferozmente), e a paixão se move em sobressaltos e abismos. Uma pessoa afetada pela paixão não pensa bem.
Nem todo mundo sofrerá da "maldição do amor", como diziam os medievais. Muita gente morre sem saber o que é essa doença.
Um dos males da época brega em que vivemos é achar que todo mundo seja capaz de amar como se este fora um direito de cidadão. Com a idade e o estrago que o cotidiano faz sobre nossas vidas e suas demandas de acomodação dos afetos ( e a instrumentalização a serviço do sucesso material), a tendência é nos tornarmos imunes ao "vírus".
O século 12 conheceu a triste história do filósofo Abelardo e sua amada Heloisa. As semelhanças dessa história com os contos de amor cortês como Tristão e Isolda ou Lancelot e Guinevere é grande. Nesses contos, há sempre um impeditivo ético à paixão.
Um dos amantes é sempre casado com alguém virtuoso ou porá em risco a vida do outro devido ao ódio ou a inveja de um terceiro ( por isso, se forem virtuosos, devem abrir mão do amor). O desejo se despedaça contra o fogo da virtude, mas não morre, apenas arde em agonia.
Daí a grande sacada dos medievais: quando desejo e virtude se contrapõe, a "maldição do amor" assalta a alma. Sentir-se pecador (e por isso não merecedor da beleza do amor) destrói a alegria, atiça o desejo e piora a doença. A melhor rota é fugir do amor, porque uma vez ele instalado, a regra é a dor.
Aberlado morreu castrado pelo tio da Heloisa. Ela, triste, foi trancada num convento. Na idade média, a Igreja recebeu muitas mulheres desesperadas, vítimas dessa doença, muitas vezes, fatal. Como diz o livro Cântico dos Cânticos na Blíblia, texto inspirador da literatura cortês: "Não despertem o amor de seu sono... pois ele é um inferno".
Dia da publicação: Segunda-feira, 31 de maio de 2010, Folha de S. Paulo.
ponde.folha@uol.com.br

domingo, 30 de maio de 2010

AMOR...

Quando amamos esquecemos nossos problemas e nossa tristeza. A pessoa amada vira uma Deusa que vive em nossos sonhos como uma luz. Essa luz é branca e mágica...
Quando olho a pessoa amada vejo nela a perfeição... ela não tem nada de negativo, pelo contrário, é caridosa e tranquila...
À noite, antes de dormir, os ollhos se fecham e a mente nos leva mais uma vez ao mundo da felicidade e do carinho... Meu Deus, por que existe a realidade, a realidade dos homens querendo cada vez mais escolher o mais forte... Cadê o Amor?
Quando amamos queremos curtir aquele momento de estar junto como se fosse o último! Para quê soltar as mãos, sendo que podemos juntá-las? Amor... volte com seus abraços; Amor... volte com seus beijos e carinhos; Amor... volte porque estou só!
Sílvio Dias Júnior

sábado, 29 de maio de 2010

SOLIDÃO

solidã

solid

soli

sol



Sílvio Dias Júnior

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um dos temas que mais gosto de estudar é o "AMOR". Já li vários textos tentando descrever emocionalmente e cientificamente esse sentimento tão complexo.
Hoje, para minha surpresa, o colunista da Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris escreveu uma crônica falando do assunto e adoraria apresentar seu texto para vocês. Boa leitura!
PS: Quando eu for apresentar textos de terceiros em meu blog, irei postá-los em itálico.

A coragem do amor que dura
Prologando minhas observações da semana passada sobre "Quincas Berro d´Água", vários leitores e leitoras observaram que a literatura e o cinema, em geral, glorificam a coragem de quem, um belo dia, chuta o balde e vai embora.
E como ficam os que passam a vida inteira deslocando o balde para estancar as goteiras? Será que eles são todos covardes e acomodados?
É inegável: nossa cultura idealiza a ruptura, a aventura, a saída para o mar aberto. Em matéria amorosa, o momento que preferimos contar é a hora do apaixonamento.
Depois disso, gostamos de imaginar que "eles viveram felizes para sempre", mas sem entrar em detalhes que poderiam transformar a história numa farsa.
Uma boa solução, aliás, é que os amantes morram logo. O sumiço ( de ambos ou de um dos dois ) evita que a comédia da vida que levariam juntos contamine a apoteose do encontro inicial. Os amantes ideais são os que não duraram no tempo: Romeu e julieta, o jovem Werther e Charlotte, Tristão e Isolda.
Concluir o quê? Que a coragem é sempre a de quem deixa a mornidão de seu conforto para se queimar num instante de paixão? Será que não pode haver coragem nos esforços para que o amor dure?
É obvio que a duração não é um valor em si: uma relação pode durar a vida inteira e ser uma longa e insulsa experiência repetitiva, sem amor algum. Mas, inversalmente, será que as paixões-relâmpago são amores? Enfim, seria útil dispor de uma definição de amor.
Justamnete, li nestes dias um livro que me tocou, "Eloge de l amour" (elogio do amor, Flammmarion 2009, ainda não traduzido para o português), de Alain Badiou; é a transcrição de uma breve entrevista do filósofo francês.
Nela, inevitavelmente, Badiou constata que, em nossa cultura, a visão dominante do amor é a de uma espécie de "heroísmo da fusão" dos amantes, que, uma vez consumidos por sua paixão, podem sair de cena (para não se tornar ridículos) ou sair do mundo e morrer (para se tornar sublimes)
Contra essa visão, Badiou define o amor mais como um percurso do que como um acontecimento: segundo ele, o amor precisa durar um tempo porque é "uma construção".
Confesso que fiquei com medo de que o filósofo nos propusesse amores tagarelas, em que os amantes não parariam de discutir a relação (claro, para construí-la). Por sorte, não se trata disso. Então, o que constroem os amantes?
Geralmente, explica Badiou, minha experiência do mundo é organizada por minha vontade de sobreviver e por meu interesse particular: vejo o mundo só de minha janela.
Certo, ao redor de mim, há muitos outros de quem gosto e aos quais reconheço o direito também sobreviver e promover seus interesses.
Mas o fato de eu respeitar esses meus semelhantes não muda em nada meu ângulo de visão. É só quando amo que consigo olhar, ao mesmo tempo, por duas janelas que não se confundem, a minha e a de meu amado. A estranha experiência ótica faz com que os amantes reconstruam o mundo, enxergando coisas que ficam escondiadas para quem só se sabe olhar por uma janela.
Entende-se que o amor assim definido exija tempo. Quanto tempo? Um mês, um ano, uma vida, tanto faz. Consumir-se na paixão pode ser rápido, mas reinventar o mundo a dois é uma tarefa de fôlego.
O amor segundo Badiou, em suma, é uma aventura, mas que precisa ser obstinada: "Abandonar a empreitada ao primeiro obstáculo, à primeira divergência séria ou aos primeiros problemas é uma desfiguração do amor. Um amor verdadeiro é o que triunfa duravelmente, às vezes duramente, dos obstáculos que o espaço, o mundo e o tempo propõem".
Você aprecia a definição, mas acha um pouco abstrata? Gostaria da história de um amor que dura e se obstina sem se tornar pesadelo ou farsa? Pois bem, acabo de ler um texto comovedor, bonito e capaz de ilustrar e explicar perfeitamente as palavras de Badiou.
Em "Amar o Que É: Um casamento transformado" (Objetiva), Alix Kates Shulman conta como ela e Scott, o marido, reiventaram o mundo, a dois, obstinadamente, depois de um acidente que precipitou Scott numa forma de demência.
Há momentos difíceis, sacrifícios e durezas, mas, curiosamente, o relato não chega nunca a ser triste porque se trata de uma extraordinária história de amor.
Contardo Calligaris (ccalligari@uol.com.br)
Data da publicação: 27 de maio de 2010. FOLHA DE S. PAULO

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Literando!

Eis um momento importante para mim, pois neste blog irei "literar" tudo aquilo que eu mais gosto: ler, ver e falar. Ler é "literar" um bom livro; ver é "literar" um bom filme e falar é "literar" a nossa linguagem do dia a dia, nossa poesia diária.
Tenterei ser menos acadêmico possível, porém não deixarei de lado meu comprometimento com a beleza da arte. Ela merece ser respeitada!
Para concluir, vamos literar?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Introdução!

"Literando" é a ação de "literar". Portanto eu litero, tú literas, ele litera e nós literamos.
Literar é um olhar fixo para saber o que há. No texto vamos desvendar a beleza que podemos encontrar. Nas linhas muitas coisas estão lá -desconstruir, separar- podem ser importantes, mas juntar nos ajudará a caminhar e entender o que se passa com nós aqui e por que não lá?!