sexta-feira, 18 de junho de 2010

Luto!

Belo texto do diretor Fernando Meirelles sobre Saramago.

"A última vez que me encontrei com Saramago foi em Penafiel, em Portugal, em novembro passado, onde ele foi homenageado, mas na verdade tenho convivido muito com ele ultimamente pois a O2 Filmes está co-produzindo um documentários chamado José e Pilar, dirigido pelo português Miguel Mendes, sobre os últimos anos do Saramago e sua mulher.
O filme é comovente de cortar os pulsos, vemos ali um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando e tem muita pena de morrer. O dia no qual ele pensava constantemente e que tentou adiar, chegou.
Saramago era um homem lógico, dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão, mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui.
A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê mas definitvamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje.
Fernando"

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mais uma vez o tema: Amor

Sei que vocês, amigos literandos, estão cansados desse tema aqui em meu blog. No entanto achei esta reportagem que saiu na Folha de S. Paulo falando do funcionamento do cérebro quando não estamos mais com a pessoa amada.
Eu que ainda sofro desse problema achei o texto interessante e quero repartí-lo com vocês.
Até!


Cérebro luta contra o fim do amor

Reportagem de Débora Mismetti
O amor já era, mas o frio na barriga continua. Mais forte que o desejo de esquecer é a sensação física que volta no fim: coração a mil, adrenalina, borboletas no estômago.
Para superar isso, os médicos indicam: deve-se reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa e mudar o foco.
É, arrumar outro amor. "Do ponto de vista cerebral, fica só ajuda a superar (o fim do caso)", diz o neurologista Antonie Bechara, da Universidade de Iowa (EUA).
Parte da dificuldade, segundo Bechara, é que essa situação gera um conflito cerebral. Mesmo que o amor já tenha ido para o brejo e que as lembranças negativas estejam presentes, há uma mpressão- nada a ver com as memórias guardadas no cérbro- que dispara aquelas rações corporais lá do alto.
Ele explica que no circuito neural há dois sistemas. Um deles passa pela amígdala, é responsável por respostas corporais involuntárias, como bolinhas no estômago.
Outro passa pelo córtez pré-frontal, região que traz à tona as lembranças do ex, mesmo que a pessoa não faça mais parte da sua vida.
"Seu amor pode ter azedado, mas o cérebro continua a mandar os estímulos (que causam reações físicas) ainda que ele tenha as lembranças ruins do relacionamento.
As impressões formadas no namoro ficam no cérebro".
As próprias reações físicas também podem ser interpretadas como uma forma de sentimento, o que realimenta o circuito. "A reação seria suficiente para configurar um sentimento? Não é necessário o objeto daquele sentimento estar presente?".
As impressões residuais e essas reações físicas "sequestram" os pensamentos.
Não precisam da nossa intenção para aparecer, o que difuculta a mudança de foco. Mesmo quando não se está pensando na pessoa de propósito, o sentimento volta e toma o corpo de assalto.
Por isso também é que o tempo pode não dar conta do recado, ao menos do ponto de vista neurológico. "Não apaga. Esse sentimento é próximo aos vícios", diz.
Se o ex está por perto, então, é pior. Como para o alcoólatra, basta um deslize para que aconteça a recaída.
O neurologista André Palmini, da PUC-RS, lembra que essas reações são similares às do começo do amor. "É sinal de que há uma ameaça".
As borboletas no estômago fazem uma curva durante o namoro, diz Palmini: surgem no início, declinam no meio e voltam no final.
Sexta-Feira, 11 de junho de 2010, Folha de S.Paulo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Re(encontro)

Você e eu sumimos. Escolhemos caminhos diferentes.
Você me mostrou que apesar de tudo há graça disso tudo. Rimos, choramos, gritamos... fomos ao correio, pois a carta era para um amor platônico "lejos" de distância. Aprendi, ensinei, errei, falei, escutei e me apaixonei...
Lembro-me de seus grandes cabelos e as danças. Sim... as danças (meu Deus, não sei dançar forró)...
Acabou. Sumimos. Distância. Tchau!
Passou-se o tempo. Eu estava triste e sem direção! Fui encontrar um amigo para ver um pouco de arte. Cadê ele? Atrasado! Liguei: "Alô... já estou aqui." E a voz no telefone: "Desculpe, esqueci! Vamos marcar para outro dia!" Fiquei nervoso! Desliguei o celular e sentei-me em um banco em frente aos elevadores do prédio. Olhava para um lado e para o outro tentando encontrar alguma saída. Algum motivo. Pensei: "Vou-me embora, cansei-me".
Bem na hora que resolvi ir......... achei uma pessoa parecida com você. Será que é ela? Não pode ser... fazem tantos anos que até perdi as contas. Mas... será? Tenho vergonha de ir até lá. E se não for?
Graças ao elevador que não chegava... você olhou para o lado e me viu. Olhou-me, olhou-me e lembrou... Sílviooooooo
Que bom... nunca fiquei tão feliz com a demora de um elevador. Falamo-nos como nos velhos tempos: rimos, gritamos, dançamos, conheci sua mamãe... valeu o domingo!
Obrigado Deus por ter colocado em meu caminho, mais uma vez, esta pessoa maravilhosa. Depois de tantos anos... como foi bom rever-te!
Agradaço-te, amigo, por não ter ido ao nosso encontro. Agora entendo o porquê da sua não ida!
É destino? Talvez. É casualidade? Talvez. Mas uma coisa eu tenho certeza... Fiquei feliz!

domingo, 6 de junho de 2010

Boa noite amigos!
Na postagem passada escrevi um texto que nos revela o como somos controlados pelo tempo. Pensando nisso, lembrei-me de uma música de Chico Buarque chamada "Cotidiano".
Façam a comparação dos dois textos e bom divertimento...



COTIDIANO

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...