quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A guerra no país da gramática

A gramática era uma guerra! Os substantivos se diziam de raça pura e queriam a maioria do congresso. Já os adjetivos reivindicavam uma maior liberdade, pois eles se sentiam escravos dos mesmos substantivos. Saíram às ruas, pegaram algumas preposições e jogaram nos policiais chamados verbos. Esses eram terríveis. Suas unidades contavam com várias conjugações. Diziam na época que os policiais mais violentos eram os verbos irregulares.
As letras não saíam de casa com medo de formarem orações coordenadas e, pior, subordinadas. As conjunções se sentiram sozinhas, pois não havia como ligar duas orações. Muitas se internaram em uma clínica psiquiátrica.
Os vocativos chamavam, mas não eram atendidos por ninguém! Muitos tentaram encontrar um motivo, porém...
Os advogados filólogos pesquisavam nas leis gramaticais algum porquê, mas a coisa piorou! As gírias não aceitaram ser consideradas vulgares e queriam mais espaço nas leis. Confusão!
Não havia solução... nada! A fonética com suas descrições gritava desesperada.
Aí, sozinha, sentada em uma varanda de um enorme prédio no centro da cidade, olhando para o caos, a linguística balançava a cabeça e dizia: "Eu avisei!".


Equipe do blog.

domingo, 24 de outubro de 2010

A poesia do teu rosto

A poesia do teu rosto me leva a analisar as linhas profundas de tua pele macia e branca. Essas linhas, chamadas versos, têm um ritmo adociado como uma lira com seu som profundo. Ler é entender o como tua alma me transforma em um privilegiado, pois pelo espelho de teus olhos vejo que o Amor o qual tens por mim não é abstrato e, sim, concreto.
A plurissignificação dos sentimentos é codificada por aqueles que param para analisar cada palavra ali desenhada. Portanto, vivo a olhar-te, pois a cada momento encontro o sentido verdadeiro de ser apaixonado!
Sílvio Dias Júnior

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A perda

Não te esqueci...

Perdi...

Não me conheces mais...

Será que eu fui tão ruim assim?

Ou tu querias novas experiências?...

Os sonhos fazem-me ver...

Teus olhos perdidos no tempo...

Lágrimas verteram... o líquido me consumiu!

A tristeza nasceu e a felicidade sumiu!

Sílvio Dias Júnior

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pintando o mar.


O oceano é o espelho que reflete o azul celeste de um céu tranquilo e enigmático. Às vezes o tom azulado se transforma em negritude com suas nuvens pesadas e chorosas. Daí o oceano aproveita-se do momento escuridão e se desnuda mostrando o seu verde profundo de uma alma com algas.


Com o espetáculo de cores, as pedras estáticas assistem admiradas ao trabalho de Neturno que pinta a cada momento as mudanças de tempo em sua tela mar.



Sílvio Dias Júnior

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Canção nas águas

Acostumei minhas mãos
a brincarem na água clara:
por que ficarei contente?
A onda passa docemente:
seus desenhos - todos vãos.
Nada para.

Acostumei minhas mãos
a brincarem na água turva:
e por que ficarei triste?
Curva e sombra, sombra e curva,
cor e movimento - vãos.
Nada existe.

Gastei meus olhos mirando vidas
com saudades.
Minhas mãos por águas perdidas
foram pura inutilidade.

Cecília Meireles

Poema retirado do livro: Vaga música

Grande Cecília Meireles


Nascimento: Cecília Benevides de Carvalho Meireles, 7 de novembro de 1901 ( Rio de Janeiro ).
Morte: 9 de novembro de 1964 ( Rio de Janeiro)

Estilo e gênero: Poeta intimista; sua linguagem é fluida de grande força plástica; seu lirismo se baseia na certeza do transitório e prega à reinvenção da vida.

Desde cedo, dividiu sua vida entre duas paixões: o ensino e a poesia. Sem abdicar da educação primária, em que se especializou, deu aulas de literatura em universidades do Rio de Janeiro e no Texas.
Viajante incansável, tinha apreço especial pela Índia e por Portugal - terra de seu primeiro marido, o pintor Fernando Correia Dias, com quem se casou aos 21 anos. Após o suicídio do pintor, em 1935, casou-se novamente, com o engenheiro Heitor da Silveira Grilo.
O amor pela educação das crianças levou Cecília a escrever Criança meu amor, em 1923, prosa poética que se tornou leitura obrigatória nas escolas primárias. O temperamento solitário e a tendência à introspecção fizeram com que ela reconhesse aos mesmos temas fundamentais: a transitoriedade da vida, o desamparo existencial e a ausência de sentido, que obriga cada homem a se reinventar. As influências de Rainer Maria Rilke, Cruz e Sousa e Tagore, nesse aspecto, são nítidas.
No fim da década de 1920, Cecília Meireles publicou em portugal o ensaio O espírito vitorioso, em que faz uma defesa vigorosa do simbolismo e da supremacia do particular sobre os ideais coletivos. Suas crônicas sobre educação defendem uma postura humanista, distante dos valores pragmáticos do século XX. Muitos a ligaram ao grupo dos neossimbolistas, que combateram com veemência o modernismo, redução, contudo, que não dá conta de sua poesia. Seu misticismo não se volta para o mundo, tampouco para os mistérios religiosos, mas a levam a uma região abstrata, regida pela visão do silêncio e do nada.
Ela surpreendeu seus leitores quando, em 1953, publicou o Romanceiro da Inconfidência, poema épico em que relata a história de Minas desde a colonização até a Incofidência Mineira, no século XVIII. Mesmo a temática política, porém, lhe serve de motivo para uma densa reflexão filosófica.

Texto retirado do livro: 501 Grandes escritores. Editora: Sextante.

domingo, 8 de agosto de 2010

Onda, venha!

Onda venha me encontrar.
Espero-te a amar.

Onda venha me encontrar.
Estou aqui sem ninguém para falar.

Onda venha me encontrar.
Envolva-me e deixe-me sonhar.

Onda venha me encontrar.
O que eu quero é desejar...

Onda venha me encontrar.
Quero-te beijar.

Onda, venha! Fale... (amar)

Sílvio Dias Júnior

Para Cecília Meireles

Música

Do lado de oeste,
do lado do mar,
há rosas silvestres,
para respirar,
e o chão se reveste
de musgos de luar.

Do lado de oeste,
do lado do mar,
há uma suave cipestre
para me embalar.
Pássaros celestes
me virão cantar.

Coração sem mestre,
sonho sem lugar,
quem há que me empreste
barco de embarcar?

Do lado de oeste,
do lado do mar,
descerei com Vésper
até me encantar.
Quero estar inerte,
sob a chuva e o luar.

Tu, que me fizeste,
me virás buscar,
do lado de oeste,
do lado do mar?

Cecília Meireles

Poema tirado do livro Vaga Música

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Descobrindo Cecília

Olá literandos!
Mais uma vez me vejo a ler os poemas de Cecília Meireles. Suas produções poéticas são lindas com uma simplicidade impressionante. No entanto entendam essa "simplicidade" como uma riqueza textual que poucos conseguem fazer. Seus versos têm metáforas bem estruturadas com rimas bem trabalhadas. Sua poesia lírica se utiliza muito do som, pois som é sentido, é vida!
Com o tempo irei publicar em meu blog alguns poemas para que nós possamos sentir a beleza que sua produção nos traz.
Até mais!

Cecília Meireles e o mar


Cecília Meireles gosta do mar e por quê? Porque o mar é música, é mistério. Sua imensidão muitas vezes nos leva à solidão e ao desconhecido. O mar é belo e ao mesmo tempo enigmático. É calmo e bravio.
As ondas, em seu leito mar, nascem, crescem, brincam e morrem. Falam, cantam e se calam. Nós, ao chegarmos à praia, escutamos-as. Sentamos na areia e vemos elas se divertindo com suas espumas brancas. Parecem crianças correndo uma atrás das outras. No entanto eu me pergunto: "O quê elas fazem?" Quero traduzir o seu som; entender sua linguagem e mensagem, mas não são todos que conseguem decifrá-las. Talvez elas não queiram ser entendidas. Será?
Independente disso, Cecília as compreendem e as traduz por meio de seus versos. Há muitos poemas que nos mostram essa sua característica de tradutora e nos revela o como é bonita a linguagem marítima... a voz do infinito mar!
Sílvio Dias Júnior

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Olá amigos literandos!
Toda segunda-feira a Folha de S. Paulo publica os textos de Moacyr Scliar no caderno Cotidiano. Ele, com sua genialidade, pega uma reportagem interessante e cria uma história ficcional.
Boa noite!

Explicando:
Em negrito a reportagem e em itálico sua criação.

Cães excluídos da adoação ganham tratamento vip em SP.
Em vez de chihuahuas fofinhos, a advogada Audrei Feitosa, 39, preferiu acolher Kiko, um vira-lata "grande, velho e com dente todo podre". Ela se autodenomina protetora dos cães fracos e indefesos. Para preservar o título, monitora de seu apartamento, em Higienópolis, no centro de São Paulo, o resgate de animais abandonados.
Quanto mais idade e problemas de saúde, mais o bicho vira "inadotável", diz. Para os rejeitados, ela e uma amiga mantêm, no sítio de um conhecido em Jundiaí (58 km de SP), cinco canis "de luxo", com ração premium, cobertores e cuidado veterinário. Juntas, pagam a um "caseiro canino" 200 reais por animal. atualmente, são 30.
A dona de casa Cleide Jacomini, 51, foi além. Aluga, na Freguesia do Ó, uma casa especialmente para dez cachorros recolhidos na rua.
Cotidiano, 5 de julho de 2010
O LAMENTO DOS EXCLUÍDOS
Ele era morador de rua e orgulhava-se disso. De família rica, poderia ter sua própria casa e nela vive confortavelmente; mas, como declarava a quem quisesse ouvir, tratava-se de uma opção que era, ao mesmo tempo, existencial e política.
Viver na rua, como excluído voluntário, significava rejeitar a hipócrita conjuntura de que seus pais se beneficiavam; significa protestar contra um status quo caracterizado pela injustiça e pela desigualdade. Era o que repetia nos discursos que constantemente fazia nas praças, nas ruas, nas avenidas.
E que não tinham muito sucesso. Ninguém queria ouvi-lo. Os outros moradores de rua evitavam-no; não entendiam o que ele falava, ficavam irritados quando ele lhes dizia que não deveriam beber nem usar drogas. "Esse cara é maluco", murmuravam e tratavam de afastar-se.
Ele vivia, pois, sozinho. Ou melhor, viveu, pois, sozinho. Ou melhor, viveu sozinho até encontrar o Amigo- o nome que deu a um cachorro vira-latas, magro e sarnento, que, por alguma razão, passou a acompanhá-lo e que parecia ouvir, muito atento, suas arengas. Nasceu daí uma profunda amizade, a amizade que nunca tivera como ser humano algum. Partilhavam o alimento que ele encontrava no lixo, dormiam juntos sob os viadutos, ele abraçado ao cachorro.
"Nunca me separei de você, nunca", costumava dizer ao Amigo que parecia retribuir, com o olhar, esta manifestação de carinho.
Mas um dia o amigo sumiu. De manhã o homem acordou e o cachorro não estava ali. Desesperado, saiu a procurá-lo. Inutilmente: provavelmente alguém, um daqueles moradores de rua que o odiavam, sequestrara o bicho.
Meses se passaram sem que sofrimento diminuísse. E um dia ele encontrou o Amigo. Estava no jardim de uma casa que, ele descobriu, funcionava como abrigo para cães abandonados. Contentíssimo, gritou, através das grades que cercavam o local: "Aqui, Amigo! Eu vim buscar você, Amigo!"
O cachorro simplesmente ignorou-o. Por uma boa meia hora ele ficou ali, desarvorado, sem saber o que fazer. E depois saiu a andar, como sempre, sem rumo. Se naquele momento encontrasse uma casa destinada a abrigar os desiludidos deste mundo, com toda a certeza pediria que o aceitassem.

domingo, 18 de julho de 2010

Felicidade

Tão cedo que ainda é quase noite lá fora.
Estou perto da janela com o café
e tudo aquilo que sempre a essa hora
nos passa pela mente.

Quando vejo o garoto e seu amigo
subindo a rua
para entregar o jornal.

Eles usam bonês e agasalhos,
e um deles traz uma mochila nas costas.
Estão tão felizes
que nem sequer conversam, os garotos.

Acho que, se pudessem, estariam até
de braços dados.
É de manhã bem cedo
e os dois caminham de lado a lado.

Lentamente, eles vêm vindo.
O céu começa a clarear,
embora a lua ainda paire sobre a água.

Tanta beleza que por um instante
a morte e a ambição. mesmo o amor,
não se intrometem nisso.

Felicidade. Ela vem
inesperadamente. E vai além, na verdade,
de qualquer discurso sonolento.

Raymond Carver

Tradução: Cide Piquet

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Brancura

Por que as palavras saem de minha cabeça e não voltam mais? Por que a brancura de minha mente me deixa só? Por que tento escrever e a folha continua como está? Por que tantas perguntas se não tenho as respostas? Por quê?
Sílvio Dias Júnior

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Luto!

Belo texto do diretor Fernando Meirelles sobre Saramago.

"A última vez que me encontrei com Saramago foi em Penafiel, em Portugal, em novembro passado, onde ele foi homenageado, mas na verdade tenho convivido muito com ele ultimamente pois a O2 Filmes está co-produzindo um documentários chamado José e Pilar, dirigido pelo português Miguel Mendes, sobre os últimos anos do Saramago e sua mulher.
O filme é comovente de cortar os pulsos, vemos ali um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando e tem muita pena de morrer. O dia no qual ele pensava constantemente e que tentou adiar, chegou.
Saramago era um homem lógico, dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão, mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui.
A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê mas definitvamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje.
Fernando"

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mais uma vez o tema: Amor

Sei que vocês, amigos literandos, estão cansados desse tema aqui em meu blog. No entanto achei esta reportagem que saiu na Folha de S. Paulo falando do funcionamento do cérebro quando não estamos mais com a pessoa amada.
Eu que ainda sofro desse problema achei o texto interessante e quero repartí-lo com vocês.
Até!


Cérebro luta contra o fim do amor

Reportagem de Débora Mismetti
O amor já era, mas o frio na barriga continua. Mais forte que o desejo de esquecer é a sensação física que volta no fim: coração a mil, adrenalina, borboletas no estômago.
Para superar isso, os médicos indicam: deve-se reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa e mudar o foco.
É, arrumar outro amor. "Do ponto de vista cerebral, fica só ajuda a superar (o fim do caso)", diz o neurologista Antonie Bechara, da Universidade de Iowa (EUA).
Parte da dificuldade, segundo Bechara, é que essa situação gera um conflito cerebral. Mesmo que o amor já tenha ido para o brejo e que as lembranças negativas estejam presentes, há uma mpressão- nada a ver com as memórias guardadas no cérbro- que dispara aquelas rações corporais lá do alto.
Ele explica que no circuito neural há dois sistemas. Um deles passa pela amígdala, é responsável por respostas corporais involuntárias, como bolinhas no estômago.
Outro passa pelo córtez pré-frontal, região que traz à tona as lembranças do ex, mesmo que a pessoa não faça mais parte da sua vida.
"Seu amor pode ter azedado, mas o cérebro continua a mandar os estímulos (que causam reações físicas) ainda que ele tenha as lembranças ruins do relacionamento.
As impressões formadas no namoro ficam no cérebro".
As próprias reações físicas também podem ser interpretadas como uma forma de sentimento, o que realimenta o circuito. "A reação seria suficiente para configurar um sentimento? Não é necessário o objeto daquele sentimento estar presente?".
As impressões residuais e essas reações físicas "sequestram" os pensamentos.
Não precisam da nossa intenção para aparecer, o que difuculta a mudança de foco. Mesmo quando não se está pensando na pessoa de propósito, o sentimento volta e toma o corpo de assalto.
Por isso também é que o tempo pode não dar conta do recado, ao menos do ponto de vista neurológico. "Não apaga. Esse sentimento é próximo aos vícios", diz.
Se o ex está por perto, então, é pior. Como para o alcoólatra, basta um deslize para que aconteça a recaída.
O neurologista André Palmini, da PUC-RS, lembra que essas reações são similares às do começo do amor. "É sinal de que há uma ameaça".
As borboletas no estômago fazem uma curva durante o namoro, diz Palmini: surgem no início, declinam no meio e voltam no final.
Sexta-Feira, 11 de junho de 2010, Folha de S.Paulo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Re(encontro)

Você e eu sumimos. Escolhemos caminhos diferentes.
Você me mostrou que apesar de tudo há graça disso tudo. Rimos, choramos, gritamos... fomos ao correio, pois a carta era para um amor platônico "lejos" de distância. Aprendi, ensinei, errei, falei, escutei e me apaixonei...
Lembro-me de seus grandes cabelos e as danças. Sim... as danças (meu Deus, não sei dançar forró)...
Acabou. Sumimos. Distância. Tchau!
Passou-se o tempo. Eu estava triste e sem direção! Fui encontrar um amigo para ver um pouco de arte. Cadê ele? Atrasado! Liguei: "Alô... já estou aqui." E a voz no telefone: "Desculpe, esqueci! Vamos marcar para outro dia!" Fiquei nervoso! Desliguei o celular e sentei-me em um banco em frente aos elevadores do prédio. Olhava para um lado e para o outro tentando encontrar alguma saída. Algum motivo. Pensei: "Vou-me embora, cansei-me".
Bem na hora que resolvi ir......... achei uma pessoa parecida com você. Será que é ela? Não pode ser... fazem tantos anos que até perdi as contas. Mas... será? Tenho vergonha de ir até lá. E se não for?
Graças ao elevador que não chegava... você olhou para o lado e me viu. Olhou-me, olhou-me e lembrou... Sílviooooooo
Que bom... nunca fiquei tão feliz com a demora de um elevador. Falamo-nos como nos velhos tempos: rimos, gritamos, dançamos, conheci sua mamãe... valeu o domingo!
Obrigado Deus por ter colocado em meu caminho, mais uma vez, esta pessoa maravilhosa. Depois de tantos anos... como foi bom rever-te!
Agradaço-te, amigo, por não ter ido ao nosso encontro. Agora entendo o porquê da sua não ida!
É destino? Talvez. É casualidade? Talvez. Mas uma coisa eu tenho certeza... Fiquei feliz!

domingo, 6 de junho de 2010

Boa noite amigos!
Na postagem passada escrevi um texto que nos revela o como somos controlados pelo tempo. Pensando nisso, lembrei-me de uma música de Chico Buarque chamada "Cotidiano".
Façam a comparação dos dois textos e bom divertimento...



COTIDIANO

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Todo dia ela diz
Que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz
Toda mulher
Diz que está me esperando
Pr'o jantar
E me beija com a boca
De café...

Todo dia eu só penso
Em poder parar
Meio-dia eu só penso
Em dizer não
Depois penso na vida
Prá levar
E me calo com a boca
De feijão...

Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O TEMPO MANDA!!! Corre corre corre, leia!

TRIMMMMM.... corre corre corre, pegue os chinelos, vá ao banheiro e escove os dentes (rápido)... corre corre corre até a sala... desvie do sofá.... corre corre corre... ferva a água.... prepare o pão... corre corre corre... a água está borbulhando... vá buscar o café... pegue o bulê... corre corre corre... onde está a colher?.... achou? então... corre corre corre... jogue o café corre corre jogue a água corre corre corre o café está pedindo para ser diluido corre corre corre pegue o açucar, coloque uma colher corre corre corre, passe manteiga no pão, mas antes o reparta ao meio, é claro... corre corre corre coma, beba corre corre corre, vá ao banheiro, tome seu banho, lave os cabelos corre corre corre, busque sua roupa, pegue a gravata corre corre corre, onde está as chaves do carro? Perdeu-as de novo corre corre corre procure-as corre corre corre, alí... encontrei... vai... corre corre corre... feche a porta, abra o carro e ligue o motor corre corre corre, sinal vermelho............ espere............ verde corre corre corre, mas sem levar multa corre corre corre, olhe o cachorro... ufa... quase, corre corre corre, dê oi para o porteiro e estacione o carro corre corre corre, entre, fale com a recepcionista rapidamente, olhe o atraso, não pode, corre corre corre... fale com o chefe, pegue a pasta com os documentos e termine o trabalho corre corre corre, vá, o chefe lhe chama, corre corre corre.... fim do expediente corre corre corre, vá até o carro e volte para casa.... trânsito (meu Deus!) ............................ apito.................... buzina............ fumaça............ aproveite seu tempo e leia, faça anotações, andou... corre corre corre... olhe o radar,corre corre corre... chegue em casa e prepare aquele banho para relaxar corre corre corre, o jornal das oito na tv corre corre corre, o arroz no fogo, frite o ovo e coma-os com gosto, corre corre corre, agora sim, tome seu banho e vista seu pijama, corre corre corre, vá deitar, pois amanhã você acorda cedo.... corre corre corre.... deite, feche os olhos e durma........... pois sou o TEMPO e quando te controlo é para as coisas sairem do meu modo.... (percebeu quem manda aqui?)... Ah! Coloque o relógio para despertar, porque eu não posso parar... olhe o tempo! Sonhe....................................................................................................
TRIMMM... corre corre corre, pegue os chinelos, vá ao banheiro e escove os dentes....

Sílvio Dias Júnior
Com a chegada dos dias dos namorados, nossos crônistas da Folha de S. Paulo estão centralizando seus pensamentos com relação ao "Amor". Sendo assim, postarei para vocês o texto que saiu hoje na Ilustrada do grande Luiz Felipe Pondé.
Heloisa
Muitas leitoras me perguntam se acredito no amor romântico. Sim, e vou dizer como. Adianto uma diferença: uma coisa é o amor no sentido de "liga" no convívio de longa duração e outra coisa é o amor romântico (pathos), e os dois não são "parentes".
O amor no sentido de "liga" é cristão: doação, esforço cotidiano, construção de vínculos. O amor romântico é da ordem da tragédia.
Não farei uso de nenhuma pretensa sociologia do amor ou história do beijo. Essa afetação científica não me interessa. A minha descrença nas ciências humanas está além da possibilidade da cura. Parafraseando Pascal (séc. 17), quando se refere a Descartes ( séc. 17): acho as ciências humanas incertas e inúteis.
Tampouco sofro de afetação das neuro ciências. Aqui, o amor seria apenas uma sopa com mais ou menos serotonina. Pouco me importa qual lado do cérebro acende quando amo. Ambas nos levariam a conclusões do tipo: o amor romântico seria uma invenção a serviço da ideologia burguesa e patriarcal ou alguma miserável conjunção de neurônios, com num tipo de demência senil.
Falo como medieval extemporâneo que sou. Acho a literatura medieval melhor para falar do amor romântico ( como achava o mexicano Otavio Paz). Em matéria de ser humano, confio mais nos medievais do que nos homens modernos.
Segundo André Capelão ( séc. 12) em seu "Tratado do Amor Cortês", o amor é uma doença que acomete o pensamento de uma pessoa e a torna obcecada por outra pessoa, criando um vício incontrolável que busca penetrar em todos os mistérios da pessoa amada: suas formas, seu corpo, seus hábitos.
Trata-se de um anseio desmedido, uma visão pertubada que invade o coração dos infelizes. Tornam-se ineficazes e dispersos. Esses infelizes deliram em abraçar, conversar, beijar e deitar-se com o ser amado, mais jamais conseguem fazê-lo plenamente (por várias razões), e essa impossibilidade é essencial na dinâmica do desejo pertubado. Corpo e alma estremecem anunciando a febre distância.
O amor romântico é uma doença. Nada tem a ver com felicidade. Por isso sua tendência a destruir o cotidiano, estremecendo-o.
Ou o cotidiano o submeterá ao serviço das instituições sociais como família, casamento e herança patrimonial, matando-o.
Por isso, os medievais diziam que o amor não sobrevive no cotidiano. O cotidiano respira banalidade e aspira à segurança ( irmã gêmea da monotonia, mas que a teme ferozmente), e a paixão se move em sobressaltos e abismos. Uma pessoa afetada pela paixão não pensa bem.
Nem todo mundo sofrerá da "maldição do amor", como diziam os medievais. Muita gente morre sem saber o que é essa doença.
Um dos males da época brega em que vivemos é achar que todo mundo seja capaz de amar como se este fora um direito de cidadão. Com a idade e o estrago que o cotidiano faz sobre nossas vidas e suas demandas de acomodação dos afetos ( e a instrumentalização a serviço do sucesso material), a tendência é nos tornarmos imunes ao "vírus".
O século 12 conheceu a triste história do filósofo Abelardo e sua amada Heloisa. As semelhanças dessa história com os contos de amor cortês como Tristão e Isolda ou Lancelot e Guinevere é grande. Nesses contos, há sempre um impeditivo ético à paixão.
Um dos amantes é sempre casado com alguém virtuoso ou porá em risco a vida do outro devido ao ódio ou a inveja de um terceiro ( por isso, se forem virtuosos, devem abrir mão do amor). O desejo se despedaça contra o fogo da virtude, mas não morre, apenas arde em agonia.
Daí a grande sacada dos medievais: quando desejo e virtude se contrapõe, a "maldição do amor" assalta a alma. Sentir-se pecador (e por isso não merecedor da beleza do amor) destrói a alegria, atiça o desejo e piora a doença. A melhor rota é fugir do amor, porque uma vez ele instalado, a regra é a dor.
Aberlado morreu castrado pelo tio da Heloisa. Ela, triste, foi trancada num convento. Na idade média, a Igreja recebeu muitas mulheres desesperadas, vítimas dessa doença, muitas vezes, fatal. Como diz o livro Cântico dos Cânticos na Blíblia, texto inspirador da literatura cortês: "Não despertem o amor de seu sono... pois ele é um inferno".
Dia da publicação: Segunda-feira, 31 de maio de 2010, Folha de S. Paulo.
ponde.folha@uol.com.br

domingo, 30 de maio de 2010

AMOR...

Quando amamos esquecemos nossos problemas e nossa tristeza. A pessoa amada vira uma Deusa que vive em nossos sonhos como uma luz. Essa luz é branca e mágica...
Quando olho a pessoa amada vejo nela a perfeição... ela não tem nada de negativo, pelo contrário, é caridosa e tranquila...
À noite, antes de dormir, os ollhos se fecham e a mente nos leva mais uma vez ao mundo da felicidade e do carinho... Meu Deus, por que existe a realidade, a realidade dos homens querendo cada vez mais escolher o mais forte... Cadê o Amor?
Quando amamos queremos curtir aquele momento de estar junto como se fosse o último! Para quê soltar as mãos, sendo que podemos juntá-las? Amor... volte com seus abraços; Amor... volte com seus beijos e carinhos; Amor... volte porque estou só!
Sílvio Dias Júnior

sábado, 29 de maio de 2010

SOLIDÃO

solidã

solid

soli

sol



Sílvio Dias Júnior

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um dos temas que mais gosto de estudar é o "AMOR". Já li vários textos tentando descrever emocionalmente e cientificamente esse sentimento tão complexo.
Hoje, para minha surpresa, o colunista da Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris escreveu uma crônica falando do assunto e adoraria apresentar seu texto para vocês. Boa leitura!
PS: Quando eu for apresentar textos de terceiros em meu blog, irei postá-los em itálico.

A coragem do amor que dura
Prologando minhas observações da semana passada sobre "Quincas Berro d´Água", vários leitores e leitoras observaram que a literatura e o cinema, em geral, glorificam a coragem de quem, um belo dia, chuta o balde e vai embora.
E como ficam os que passam a vida inteira deslocando o balde para estancar as goteiras? Será que eles são todos covardes e acomodados?
É inegável: nossa cultura idealiza a ruptura, a aventura, a saída para o mar aberto. Em matéria amorosa, o momento que preferimos contar é a hora do apaixonamento.
Depois disso, gostamos de imaginar que "eles viveram felizes para sempre", mas sem entrar em detalhes que poderiam transformar a história numa farsa.
Uma boa solução, aliás, é que os amantes morram logo. O sumiço ( de ambos ou de um dos dois ) evita que a comédia da vida que levariam juntos contamine a apoteose do encontro inicial. Os amantes ideais são os que não duraram no tempo: Romeu e julieta, o jovem Werther e Charlotte, Tristão e Isolda.
Concluir o quê? Que a coragem é sempre a de quem deixa a mornidão de seu conforto para se queimar num instante de paixão? Será que não pode haver coragem nos esforços para que o amor dure?
É obvio que a duração não é um valor em si: uma relação pode durar a vida inteira e ser uma longa e insulsa experiência repetitiva, sem amor algum. Mas, inversalmente, será que as paixões-relâmpago são amores? Enfim, seria útil dispor de uma definição de amor.
Justamnete, li nestes dias um livro que me tocou, "Eloge de l amour" (elogio do amor, Flammmarion 2009, ainda não traduzido para o português), de Alain Badiou; é a transcrição de uma breve entrevista do filósofo francês.
Nela, inevitavelmente, Badiou constata que, em nossa cultura, a visão dominante do amor é a de uma espécie de "heroísmo da fusão" dos amantes, que, uma vez consumidos por sua paixão, podem sair de cena (para não se tornar ridículos) ou sair do mundo e morrer (para se tornar sublimes)
Contra essa visão, Badiou define o amor mais como um percurso do que como um acontecimento: segundo ele, o amor precisa durar um tempo porque é "uma construção".
Confesso que fiquei com medo de que o filósofo nos propusesse amores tagarelas, em que os amantes não parariam de discutir a relação (claro, para construí-la). Por sorte, não se trata disso. Então, o que constroem os amantes?
Geralmente, explica Badiou, minha experiência do mundo é organizada por minha vontade de sobreviver e por meu interesse particular: vejo o mundo só de minha janela.
Certo, ao redor de mim, há muitos outros de quem gosto e aos quais reconheço o direito também sobreviver e promover seus interesses.
Mas o fato de eu respeitar esses meus semelhantes não muda em nada meu ângulo de visão. É só quando amo que consigo olhar, ao mesmo tempo, por duas janelas que não se confundem, a minha e a de meu amado. A estranha experiência ótica faz com que os amantes reconstruam o mundo, enxergando coisas que ficam escondiadas para quem só se sabe olhar por uma janela.
Entende-se que o amor assim definido exija tempo. Quanto tempo? Um mês, um ano, uma vida, tanto faz. Consumir-se na paixão pode ser rápido, mas reinventar o mundo a dois é uma tarefa de fôlego.
O amor segundo Badiou, em suma, é uma aventura, mas que precisa ser obstinada: "Abandonar a empreitada ao primeiro obstáculo, à primeira divergência séria ou aos primeiros problemas é uma desfiguração do amor. Um amor verdadeiro é o que triunfa duravelmente, às vezes duramente, dos obstáculos que o espaço, o mundo e o tempo propõem".
Você aprecia a definição, mas acha um pouco abstrata? Gostaria da história de um amor que dura e se obstina sem se tornar pesadelo ou farsa? Pois bem, acabo de ler um texto comovedor, bonito e capaz de ilustrar e explicar perfeitamente as palavras de Badiou.
Em "Amar o Que É: Um casamento transformado" (Objetiva), Alix Kates Shulman conta como ela e Scott, o marido, reiventaram o mundo, a dois, obstinadamente, depois de um acidente que precipitou Scott numa forma de demência.
Há momentos difíceis, sacrifícios e durezas, mas, curiosamente, o relato não chega nunca a ser triste porque se trata de uma extraordinária história de amor.
Contardo Calligaris (ccalligari@uol.com.br)
Data da publicação: 27 de maio de 2010. FOLHA DE S. PAULO

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Literando!

Eis um momento importante para mim, pois neste blog irei "literar" tudo aquilo que eu mais gosto: ler, ver e falar. Ler é "literar" um bom livro; ver é "literar" um bom filme e falar é "literar" a nossa linguagem do dia a dia, nossa poesia diária.
Tenterei ser menos acadêmico possível, porém não deixarei de lado meu comprometimento com a beleza da arte. Ela merece ser respeitada!
Para concluir, vamos literar?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Introdução!

"Literando" é a ação de "literar". Portanto eu litero, tú literas, ele litera e nós literamos.
Literar é um olhar fixo para saber o que há. No texto vamos desvendar a beleza que podemos encontrar. Nas linhas muitas coisas estão lá -desconstruir, separar- podem ser importantes, mas juntar nos ajudará a caminhar e entender o que se passa com nós aqui e por que não lá?!