Acostumei minhas mãos
a brincarem na água clara:
por que ficarei contente?
A onda passa docemente:
seus desenhos - todos vãos.
Nada para.
Acostumei minhas mãos
a brincarem na água turva:
e por que ficarei triste?
Curva e sombra, sombra e curva,
cor e movimento - vãos.
Nada existe.
Gastei meus olhos mirando vidas
com saudades.
Minhas mãos por águas perdidas
foram pura inutilidade.
Cecília Meireles
Poema retirado do livro: Vaga música
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
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