segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Pintando o mar.


O oceano é o espelho que reflete o azul celeste de um céu tranquilo e enigmático. Às vezes o tom azulado se transforma em negritude com suas nuvens pesadas e chorosas. Daí o oceano aproveita-se do momento escuridão e se desnuda mostrando o seu verde profundo de uma alma com algas.


Com o espetáculo de cores, as pedras estáticas assistem admiradas ao trabalho de Neturno que pinta a cada momento as mudanças de tempo em sua tela mar.



Sílvio Dias Júnior

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Canção nas águas

Acostumei minhas mãos
a brincarem na água clara:
por que ficarei contente?
A onda passa docemente:
seus desenhos - todos vãos.
Nada para.

Acostumei minhas mãos
a brincarem na água turva:
e por que ficarei triste?
Curva e sombra, sombra e curva,
cor e movimento - vãos.
Nada existe.

Gastei meus olhos mirando vidas
com saudades.
Minhas mãos por águas perdidas
foram pura inutilidade.

Cecília Meireles

Poema retirado do livro: Vaga música

Grande Cecília Meireles


Nascimento: Cecília Benevides de Carvalho Meireles, 7 de novembro de 1901 ( Rio de Janeiro ).
Morte: 9 de novembro de 1964 ( Rio de Janeiro)

Estilo e gênero: Poeta intimista; sua linguagem é fluida de grande força plástica; seu lirismo se baseia na certeza do transitório e prega à reinvenção da vida.

Desde cedo, dividiu sua vida entre duas paixões: o ensino e a poesia. Sem abdicar da educação primária, em que se especializou, deu aulas de literatura em universidades do Rio de Janeiro e no Texas.
Viajante incansável, tinha apreço especial pela Índia e por Portugal - terra de seu primeiro marido, o pintor Fernando Correia Dias, com quem se casou aos 21 anos. Após o suicídio do pintor, em 1935, casou-se novamente, com o engenheiro Heitor da Silveira Grilo.
O amor pela educação das crianças levou Cecília a escrever Criança meu amor, em 1923, prosa poética que se tornou leitura obrigatória nas escolas primárias. O temperamento solitário e a tendência à introspecção fizeram com que ela reconhesse aos mesmos temas fundamentais: a transitoriedade da vida, o desamparo existencial e a ausência de sentido, que obriga cada homem a se reinventar. As influências de Rainer Maria Rilke, Cruz e Sousa e Tagore, nesse aspecto, são nítidas.
No fim da década de 1920, Cecília Meireles publicou em portugal o ensaio O espírito vitorioso, em que faz uma defesa vigorosa do simbolismo e da supremacia do particular sobre os ideais coletivos. Suas crônicas sobre educação defendem uma postura humanista, distante dos valores pragmáticos do século XX. Muitos a ligaram ao grupo dos neossimbolistas, que combateram com veemência o modernismo, redução, contudo, que não dá conta de sua poesia. Seu misticismo não se volta para o mundo, tampouco para os mistérios religiosos, mas a levam a uma região abstrata, regida pela visão do silêncio e do nada.
Ela surpreendeu seus leitores quando, em 1953, publicou o Romanceiro da Inconfidência, poema épico em que relata a história de Minas desde a colonização até a Incofidência Mineira, no século XVIII. Mesmo a temática política, porém, lhe serve de motivo para uma densa reflexão filosófica.

Texto retirado do livro: 501 Grandes escritores. Editora: Sextante.

domingo, 8 de agosto de 2010

Onda, venha!

Onda venha me encontrar.
Espero-te a amar.

Onda venha me encontrar.
Estou aqui sem ninguém para falar.

Onda venha me encontrar.
Envolva-me e deixe-me sonhar.

Onda venha me encontrar.
O que eu quero é desejar...

Onda venha me encontrar.
Quero-te beijar.

Onda, venha! Fale... (amar)

Sílvio Dias Júnior

Para Cecília Meireles

Música

Do lado de oeste,
do lado do mar,
há rosas silvestres,
para respirar,
e o chão se reveste
de musgos de luar.

Do lado de oeste,
do lado do mar,
há uma suave cipestre
para me embalar.
Pássaros celestes
me virão cantar.

Coração sem mestre,
sonho sem lugar,
quem há que me empreste
barco de embarcar?

Do lado de oeste,
do lado do mar,
descerei com Vésper
até me encantar.
Quero estar inerte,
sob a chuva e o luar.

Tu, que me fizeste,
me virás buscar,
do lado de oeste,
do lado do mar?

Cecília Meireles

Poema tirado do livro Vaga Música

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Descobrindo Cecília

Olá literandos!
Mais uma vez me vejo a ler os poemas de Cecília Meireles. Suas produções poéticas são lindas com uma simplicidade impressionante. No entanto entendam essa "simplicidade" como uma riqueza textual que poucos conseguem fazer. Seus versos têm metáforas bem estruturadas com rimas bem trabalhadas. Sua poesia lírica se utiliza muito do som, pois som é sentido, é vida!
Com o tempo irei publicar em meu blog alguns poemas para que nós possamos sentir a beleza que sua produção nos traz.
Até mais!

Cecília Meireles e o mar


Cecília Meireles gosta do mar e por quê? Porque o mar é música, é mistério. Sua imensidão muitas vezes nos leva à solidão e ao desconhecido. O mar é belo e ao mesmo tempo enigmático. É calmo e bravio.
As ondas, em seu leito mar, nascem, crescem, brincam e morrem. Falam, cantam e se calam. Nós, ao chegarmos à praia, escutamos-as. Sentamos na areia e vemos elas se divertindo com suas espumas brancas. Parecem crianças correndo uma atrás das outras. No entanto eu me pergunto: "O quê elas fazem?" Quero traduzir o seu som; entender sua linguagem e mensagem, mas não são todos que conseguem decifrá-las. Talvez elas não queiram ser entendidas. Será?
Independente disso, Cecília as compreendem e as traduz por meio de seus versos. Há muitos poemas que nos mostram essa sua característica de tradutora e nos revela o como é bonita a linguagem marítima... a voz do infinito mar!
Sílvio Dias Júnior